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quarta-feira, janeiro 16, 2008

O Caminho

(continuação disto)

Não sabia o que fazia, nada importava, mas ela... Nunca vi ninguém assim. Ela era a esperança de cortar o meu risco contínuo, ela era o meu despertar. Durante toda a viagem não tirei os meus olhos do seu rosto, não proferi nenhuma palavra.

O comboio parou, o último momento. Eu tenho de fazer qualquer coisa. Foi com este pensamento que decidi puxar conversa e mal sabia eu que era apenas o começo do meu caminho.

As minhas primeiras palavras não foram muito do seu agrado, ela não reagiu ao meu simples olá, não olhou para mim, apenas caminhava. Simples e elegante continuava o seu caminho.

_Beatriz, ouve-me.
_Como é que sabes o meu nome?_olhou para mim meia apavorada_ Vá diz-me como é que sabes o meu nome?
_ Senti-o _ respondi-lhe delicadamente perplexo com a sua beleza.
_Os nomes não se sentem.
_ Tudo se sente. Tudo!

E assim o seu olhar mudou. Parou, parei, nada mais, mas tanta coisa.

(to be continued ;-))

terça-feira, janeiro 15, 2008

O Caminho

Eram já sete horas e eu atrasado. Corri atrapalhado para a estação mais próxima e ainda consegui apanhar o último comboio. Foi uma sorte! É cansativo viver longe, aliás o próprio dia-a-dia, longe ou perto, é cansativo. Mas esse dia, o dia dez de Novembro nunca esquecerei. Abriram-se as portas do meu imaginário. Não sei se foi positivo, sei apenas que não esqueço e isso é tudo o que tenho. Levaram-me tudo, mas as memórias, essas, são só minhas.

Sentei-me no único banco vazio, pus a pasta ao colo e suspirei de alívio, as minhas pernas não aguentavam mais. Comecei a observar as pessoas. Quando não se tem nada para fazer, pensa-se na vida ou em outras vidas, naquele momento preferi a segunda hipótese, não suportaria recordar-me depois de uma árdua caminhada, pois tinha conseguido finalmente algum conforto e sossego.

Observava tudo, todos os pormenores, todas as distracções e maldades e no entanto tanta gente, mas ninguém, tantas conversas e o silêncio. Desliguei-me de tudo, não valia a pena desperdiçar tempo com palavras que eu sabia, não valia... Mas lá no fundo, no último banco, a luz era diferente. Levantei-me para ver melhor.

(to be continued)