Depois de mais um acidente com não sei quantos mil carros (9 para ser mais precisa) me ter atrasado (de novo) o começo do dia, decidi vir de barco e apanhar um taxi.
Eu juro que respiro fundo e olho para o céu, no momento em que vou entrar no dito carro amarelo. Eu acho que já expliquei aqui um dia, o meu pavor por taxis, acho que já expliquei que às vezes a sorte é tanta que tive um acidente no banco de trás de um taxi que me levou de ambulância para o hospital. Por isso, sinto-me no direito de não achar nada exagerado todo o ritual antes de colocar lá dentro o meu primeiro pé, o direito.
Aquilo onde apanhei o dito é de uma organização que não parece que estamos em Portugal. A fila é enorme e os carros andam em forma de caracol até que um a um, vão apanhando as pessoas. Durante esses minutos olho para os condutores à espera do que me ia sair na rifa.
Pois tá claro. Hoje experimentei-me nas conversas do fanatismo religioso. Quanto eu digo duas simples palavras, "bom dia" e me respondem "bom dia se Deus quiser". E eu mentalmente disse:
UI QUE ISTO HOJE PROMETE.
Eu bem tentei travar aquilo ali, mas não foi possível, porque o senhor estava disposto a explicar-me que o mundo ia acabar e que nos ODIAMOS todos uns aos outros e que está escrito que qualquer dia (não sei se não hoje) só ia restar um homem e uma mulher.
Eu apenas disse: Sabe, não gosto muito dessa palavra. Odiar.
E ele avança. Esse é o problema, fugirmos dos nossos problemas. Não gosta, mas devia reflectir sobre o assunto e blá blá...
O CAMINHO FOI MAIS LONGO DO QUE OS QUILÓMETROS QUE PERCORREMOS.
E sinceramente, ou o senhor teve um momento esquisofrénico ou eu sou uma rapariga de sorte que ainda acredito não odiar o próximo.
Será que existe salvação?